O caminho da jardineira urbana

As plantinhas foram semeadas aqui na varanda na altura certa, mas a quarentena atrasou a passagem para a terra. Por outro lado a varanda ficou muito mais gira!


A hortelã não é só para chá

Existem algumas, poucas, receitas tradicionais que tiram partido da humilde hortelã, como a açorda e a canja de galinha. Mas a hortelã é muito fácil de manter num vaso de uma horta urbana limitada, como é uma varanda, e por isso vale a pena dar asas à imaginação para tirar partido culinário desta aromática tão portuguesa e poderosa.

Deitar diariamente um ramo, ou algumas folhas, na jarra da água antes de levar para a mesa pode tornar-se um hábito automático. Para alguns o gosto será demasiado forte mas uma ou duas folhas bem picadas e misturadas com o resto da salada crua a única sensação que vão transmitir vai ser a da Primavera no seu melhor. Claro que nos cozinhados pode usar-se ainda com mais liberalidade, e se as folhas de hortelã forem atadas com cordel ou num ramo inteiro existe sempre a opção de as remover no final. Nas sobremesas a hortelã é particularmente apta a cortar a sensação de excesso de açúcar mas usá-la dá em geral um toque fresco de especiaria incomum.

Os maiores fãs podem secar para ter no inverno, mas aí o chá será o uso mais óbvio. Aqui na horta da varanda esta hortelã está vigorosa e pronta para mostrar o que vale!


Em tempos de estado de emergência & quarentena

Com uma horta na varanda torna-se possível aquilo que as compras no supermercado (feitas de 3 em 3 semanas) de outro modo impediriam: saladas frescas todos os dias, acabadas de apanhar e plenas de vitalidade. A salada de hoje tem rama de cenoura, salsa, coentros, hortelã, rama de rabanete e cebolinho. Uma dose concentrada de clorofila!


Convidado de honra

Hoje a varanda dos Nabos recebeu uma convidada de honra: uma joaninha! A primavera ainda não chegou aos calendários, mas toda a fauna e flora sabem que já cá está.


Beleza na horta

Num dia raro, uma beleza rara! As flores de orquídea têm um ar exótico e principesco, a lembrar portais para uma dimensão inexplorada de perfeição absoluta. É a primeira vez que esta orquídea (uma Pleione formosana) floresce na horta dos Nabos e aqui fica imortalizada.


A Lua é mentirosa



Na escola já se ensinou assim: se à noite a lua iluminada parece um "C", então devia estar na fase crescente (mas não está). E se parece um "D" devia estar na fase decrescente (e também não está). Portanto a luz mente porque o C anuncia a fase decrescente (que vai da luz cheia à lua nova) e o D é da fase crescente (lua nova à lua cheia).

Porque é que vale a pena prestar atenção? Durante a metade crescente do mês a "energia" está com incidência ascendente: da raiz para as folhas. Por isso é uma boa altura para semear plantas em que queremos colher folhas (alfaces, couves, coentros...). Quando a lua está decrescente a ênfase é na raiz, pelo que as cenouras, pastinacas, batatas, etc, são uma boa escolha no que toca a sementeiras.

Família

Os Nabos do Norte têm um primo próximo (poucos metros!) que não é hortícola e mora debaixo de teto, mas não deixa por isso de constituir um valioso acervo vegetal. Ao longo deste verão tornou-se particularmente luxuriante!


À descoberta do melhor restaurante

Um dia que os Nabos do Norte sejam convidados a participar na atribuição das estrelas Michelin a escolha já está feita - é para premiar o restaurante Momentos Bio, em Matosinhos:



É o único restaurante biológico de que temos conhecimento em Portugal, e a comida é fantástica. Tem pratos para vegetarianos, veganos e carnívoros, sem esquecer os que procuram peixe fresco. Abriu há pouco tempo e é de visita obrigatória! Este é o nível de qualidade que qualquer restaurante que se preze devia seguir... e provavelmente vai acabar por seguir no futuro.

Em outubro, pega tudo

Para pôr à prova o provérbio português "Em outubro, pega tudo" um vaso de gardénias resultou em cerca de 30 mini-estacas que agora estão a tentar enraizar. Claro que o povo se refere à combinação de chuvas e temperaturas pouco agrestes e não à jardinagem numa varanda onde a rega é com água da companhia... Ainda assim as gardénias são lindos arbustos de flores cor de pérola perfumadíssimas, pelo que vale a pena tentar o milagre da multiplicação que o mês de outubro oferece.



Primeira sementeira para o inverno

Os coentros são amigos do hortelão! Comem-se crus, cozidos, em sopas ou saladas, fazem ótimos temperos e crescem depressa. Só não gostam do calor, porque começam a espigar e nessa fase já só servem para quem gosta de quardar semente. Estas sementes foram recolhidas este verão e estiveram um mês à sombra até que chegou a altura de ir para a terra. Seis dias depois, voilà!


Férias

Quando não se levam as plantas para férias deixa-se um sistema de rega automática. Deixar secar as cenouras é que não.

A torneira é que não pode ser qualquer uma:


Depois de cultivar...

... é a altura de processar. No caso da erva-príncipe é possível colher várias vezes por ano, pelo menos enquanto fizer bom tempo. Depois de cortar é deitar fora as folhas velhas ou estragadas e espalhar para secar num espaço arejado (o ideal é ter uma pequena corrente de ar em permanência) mas sem sol direto.




Tem de ficar mesmo muito bem seco! De outra forma ganha bolor quando se guardar. Cortar em pedacinhos com uma tesoura e guardar num frasco estanque dá numa bela prateleira. :-)



Ruibarbo

Não se pode dizer que a sementeira tenha sido um sucesso... Mas este é o ano em que começa a exploração do conceito de hortícolas perenes - e o ruibarbo é uma escolha óbvia. Sim, nunca esquecer que as folhas são venenosas. Mas os talos servem para tudo: sumos, batidos, saladas cruas, grelhados, cozidos e, claro, em compotas e tartes. Mas para já nos Nabos do Norte o segredo é a paciência de esperar que cresça.

A satisfação de ver crescer


Estas alfaces estavam assim, minúsculas e acabadas de transplantar para este vaso, a 1 de maio. Hoje, cerca de 3 semanas depois, já enchem o vaso e a vista. Já se fez a primeira salada e outras se seguirão. Um espanto!


Sementeiras

A melhor maneira de semear à escala da jardinagem: tabuleiros de alvéolos. Algumas espécies não se prestam a isso (cenoura, pastinaca...) mas sempre que possível esta estratégia dá-nos um enorme avanço em relação às ervas e à concorrência que fazem. Na foto: tabuleiros de abóbora Kuri (direita) e abobrinha Beleza Negra (esquerda).

Primavera!

Como diz o povo, "Cozinha sem salsa é como jarra sem flores." - por isso ver salsa a crescer é o contributo desta horta para a celebração da chegada da Primavera. 


Taunton Deane I

A grande novidade do ano: a couve galega em versão perene, da variedade Taunton Deane. Ao contrário das galegas comuns esta tem produção contínua durante pelo menos 5 anos. E multiplica-se por estaca (vistas aqui a enraizar), que é a maneira mais fácil de partilhar esta pequena (que se faz grande) maravilha.


Nabiças

Estas já vêm um bocado fora de horas... mas enquanto forem crescendo e o vento e frio do general inverno não der cabo delas, é de aproveitar, comer e chorar por mais.

Alfazema nunca é demais

Esta é a altura do ano ideal para enraizar estacas de alfazema, e nem é preciso preparar terra: aproveita-se um vaso menos preenchido (aqui com alguns rebentos de hortelã francesa) e é só espetar os raminhos. Na verdade, para maximizar o sucesso pode usar-se uma ajuda: hormona de enraizamento (aqui foi usado Clonex). Basta uma pinguinha na ponta que se vai enterrar e todos vingam - pelo menos para já. Mais tarde envasam-se individualmente e daqui a um ano ou dois as flores vão estar a perfumar gavetas e armários.



Agrião, a melhor hortaliça de inverno

Desde que se garanta rega com água limpa (isto é, não contaminada por fossas séticas, etc), nada bate o agrião. Cru, em saladas, ou escaldado nas sopas, ou ainda cozido sozinho ou com arroz, salteado com alho e cebola, ou qualquer outra variação (há quem faça bolos...), o agrião personifica vitalidade apesar do frio e cinzento do inverno. Não é possível fartar das folhas tenras, do caules apimentados, e da generosidade de uma planta que volta sempre a crescer até o calor da primavera mais entradota o fazer espigar. Se há plantas a quem dá vontade de agradecer, o agrião faz parte do clube.


Erva-príncipe

O nome científico é Cymbopogon, mas quem já provou o chá (fresco ou seco) não se deixa intimidar com latim e deleita-se no que importa: um sabor divinal que lembra o limão mas não se fica por aí. A planta cresce num tufo e dá-se bem com o calor (nem tanto com o frio). É mesmo uma planta fácil de contentar. Pode cortar-se várias vezes ao longo do verão, seja para usar logo ou secar. Para multiplicar é preciso dividir o maciço de raízes. Quem gostar de chá não viveu enquanto não provou a erva-príncipe.


Alguém pediu canela?

A Lycaste aromatica é a mais recente adição à varanda do 5º andar. As flores têm um perfume tão intenso a canela que devem atrair bicharada de milhas em redor. Ou afugentar, quem sabe. O que é certo é que calor e canela se combinam numa essência que só pode ser a do próprio verão.


A melhor forma de enfeitar uma varanda...

... é com pepineiros! Para o ano pode ser que ponha mais e em todos os vasos. Direcionados para fora do parapeito não ocupam espaço e fazem da horta a varanda mais cool das redondezas. Com aboboreiras também deve resultar.



Do lado de dentro também tem graça. Só espero que os pepinos não caiam - sobretudo que não se esborrachem em cima da cabeça de alguém!



Manjericão verde de folha larga

Este manjericão é fantástico. É uma variedade regional (nº4 no catálogo da Colher para Semear) e há anos que se dá bem com a horta. Sempre fresco, pujante, abundante em folhas, perfume e sementes. Não se queixa do sol, da sombra ou do esquecimento temporário. E dá para tudo na cozinha... se não se assustarem com o sabor cheio de personalidade. Autossemeia-se sem trabalho (guardar sementes também funciona sempre bem). Uma verdadeira prova de que a Natureza faz o grosso do serviço por nós.


Tillandsia em flor

Em poucos dias de borrifadelas diárias com água tanto o Dendrobium como a Tillandsia decidiram investir na floração. É a primeira vez que a Tillandsia dá a conhecer as suas cores, que não sofrem de qualquer timidez.



Mudar de casa sem sair do 5º andar

A horta dos Nabos do Norte teve de sair da Católica, mas não deixou o 5º piso - só que agora mora em duas varandas de um apartamento em Águas Santas (Maia). Com menos vasos mas a mesma vontade de crescer e brilhar ao sol, as primeiras flores a marcar presença são as de orquídea (género Dendrobium). Por trás está pousada uma Tillandsia, uma planta que quase não tem raiz e absorve humidade e nutrientes través das folhas.




Detalhe das flores do Dendrobium:


Detalhe da Tillandsia:

Nada se perde, tudo se transforma

Embora a terra tenha sido toda transportada a saco, a biomassa vegetal (todas as ervas, plantas mortas, raízes, etc) ficou empilhada à espera de ser compostada. Os compostores estão cheios e vão demorar uns meses até conseguir absorver tanto material. Mas como a mudança da faculdade é só no início de 2019, o stress aqui já não aperta. É só deixar a Natureza fazer o que sabe melhor: fechar os ciclos da matéria.


Nabos do Norte no more... pelo menos no terraço da ESB

Hoje foi a grande transumância. Durante cerca de 18 horas todo o conteúdo da horta foi desmontado, ensacado e transportado para novas paragens. 


No final sobrou o espaço, bem mais limpo e praticamente vazio, a lembrar os tempos do início no já distante ano de 2010:

Em Fevereiro, lê primeiro...



Podia ser um ditado popular... não é :-)
E no entanto o inverno é a melhor altura para (re)pensar, planear e aprender antes de fazer. Isso consegue-se conversando, sonhando e, claro, lendo – tudo sem gastar um tostão. Um dos recursos livremente disponíveis na net é este Manual de Agricultura Biológica publicado pela câmara de Terras de Bouro. Cobre a produção de hortícolas "básicos" (batata, cebola, milho, couve...) e dá algumas pistas na vertente animal também (galinhas, porcos, cabras... até abelhas). A secção final cobre os aspetos mais importantes da compostagem agrícola, com boas referências. Não tem aspirações a enciclopédia, mas é o tipo de trabalho que se percorre com facilidade e onde se aprende sempre alguma coisa útil.

Biológico à séria

A Professora Isabel Mourão, da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, coordenou e publicou o Manual de Horticultura no Modo de Produção Biológico que, em colaboração com diversos especialistas para cada um dos capítulos, abrange temas vastos e interessantes como a compostagem e melhoramento do solo, rotação de culturas e, claro, como lidar com pragas e doenças. Algumas informações só interessam para empreendedores à escala comercial (como a certificação, ou a aplicação de etileno), mas hortelões de todos os tipos podem aprender muito com esta obra, dada à estampa em 2007.

Cultivar de inverno




Há épocas do ano em que a jardinagem rende mais dentro de casa. Para dar às saladas uma vibração primaveril basta germinar sementes... e comê-las! Também podem ser cozidas, em sopas, mas os germinados marcam a diferença sobretudo quando se usam crus. O germinador na imagem pode ser comprado aqui (publicidade não paga) e há muitos tutoriais no youtube a mostrar como se faz. Duas dicas: comecem pela alfafa, que é a mais fácil, e passem água todos os dias, para não embolorar. Em dois ou três dias, consoante a temperatura ambiente, já estão prontinhas a comer.

O dia em que comecei a desmontar a horta dos Nabos



A faculdade vai para o Campus da Foz, juntar-se ao resto da Católica Porto. Antes disso todas as plantas e, sobretudo, todo o solo, terão de mudar de poiso. Vai demorar uns meses largos até a peregrinação terminar... desperdiçar é que não é opção.

Tomateiros

A abundância dos tomateiros é difícil de explicar e tem de ser presenciada. Mesmo quando já estão a secar e meias partidas as plantas continuam a dar tomate perfeito e maduro. Não há como agradecer tanta fartura, a não ser partilhando-a.


Fim de verão

O final do verão/início do outono devia ser uma estação à parte. Há tantas coisa a acontecer e tantas coisas boas ficam prontas para comer! A dificuldade é dar vazão. A estrela hoje é a pereira, que deu peras (pera Rocha) pela primeira vez. E são uma delícia.



Ano das melhores maçãs do mundo

Sim, não há que ter medo de assumir: as maçãs bravo de esmolfe são as melhores do mundo. Se o horóscopo chinês incluísse plantas esta estaria bem posicionada para o 1º lugar.
E quem diria que uma macieira dessas num vaso conseguia encher-se de maçãs assim apetitosas?


Vigor aromático

Esta altura do ano não costuma ser a ideal, porque o calor já fez os seus estragos. Mas por alguma razão a verdade é que este ano na horta as ervas aromáticas continuam a crescer com aspeto fresco e primaveril no mês de junho. Um luxo!





Quando o tempo não dá para tudo...

... quem sofre é a horta, que evolui rapidamente para o formato mais genuíno e natural possível (e onde se demonstra que não há herbicidas na horta dos Nabos):